Na última quarta-feira, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou efetivamente a agenda de trabalhos da transição em Brasília. Ele se reuniu primeiro com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Em seguida, teve um encontro com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), e integrantes da equipe de transição também participaram das conversas. Lula apresentou as demandas prioritárias do novo governo, principalmente as relacionadas a áreas sociais. O presidente eleito demonstrou confiança na aprovação da PEC da Transição, disse que pretende conversar com parlamentares do centrão para negociar e que não pretende interferir em outros poderes. “Não cabe ao Presidente da República interferir no funcionamento da Câmara e nem do Senado. Somos poderes autônomos. Nem eles interferem no nosso comportamento e nem nós no deles. E, assim, a sociedade vai viver tranquilamente, democraticamente, e as coisas vão acontecer. Eu não enxergo dentro da Câmara ou dentro do Senado essa coisa de Centrão, eu enxergo deputados que foram eleitos e que, portanto, nós vamos ter que conversar com eles para garantir as coisas que serão necessárias para melhorar a vida do povo brasileiro”, disse.
Depois da reunião, Pacheco usou as redes sociais para dizer que, no encontro, eles trataram de temas institucionais e de interesse do governo de transição. E ainda que ele reafirmou ao presidente eleito que o Congresso irá trabalhar de forma responsável e célere para assegurar os recursos para garantir em 2023 o Auxílio Brasil de R$ 600, o reajuste no salário mínimo e os programas sociais necessários para a população mais carente economicamente do país. A agenda do presidente eleito também incluiu um encontro com a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, que durou cerca de 50 minutos. Em nota, o STF disse que os ministros apontaram preocupações com o Brasil, como a necessidade de investimentos em educação e meio ambiente e que o presidente eleito, por sua vez, afirmou que atuará pela reconstrução da união do país. Lula também foi ao Tribunal Superior Eleitoral para um encontro com o presidente da corte, o ministro Alexandre de Moraes. Na saída, em entrevista coletiva, o petista afirmou que é possível recuperar a harmonia entre os poderes. “Então, eu vim para dizer às instituições: o Brasil vai voltar à normalidade. A gente vai voltar a dormir tranquilo, vai voltar a sonhar, a gente vai voltar a ter o prazer e o orgulho de ser brasileiro em tempo de paz”, disse.
Lula agradeceu Moraes pela condução das eleições e afirmou que a urna eletrônica é um orgulho dos brasileiros. “Cabe ao presidente [Jair Bolsonaro] reconhecer a sua derrota. Cabe a ele fazer uma reflexão e se preparar para, daqui a uns anos, concorrer outra vez. É assim que é o jogo democrático. Não tem outro jeito. É respeitar a decisão da maioria do povo brasileiro”, disse. Lula tem nesta quinta-feira, 10, um encontro com parlamentares da bancada aliada de seu governo. Uma das reuniões é com o relator-geral do orçamento, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) e outros parlamentares do partido dele. Será mais um passo na tentativa de garantir os recursos para financiar o Auxílio Brasil de R$ 600s em 2023, ainda incerto.
Ainda na quarta-feira, o presidente eleito disse que só vai definir os nomes dos ministros depois que voltar da COP27, no Egito. “Eu estou mais preocupado que vocês pela definição dos ministérios, mas não estou pensando em ninguém, me desculpem, me desculpem. Quando eu voltar do Edito, eu vou começar a pensar na montagem do ministério”, disse Lula. Nesta quarta-feira também foram anunciados novos membros da equipe de transição. A área da saúde será coordenada pelo senador Humberto Costa (PT-PE) e contará com a participação do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) e dos ex-ministros da pasta Arthur Chioro e José Gomes Temporão. O médico David Uip também foi chamado, mas recusou o convite.
Padilha afirmou que o grupo fará um diagnóstico detalhado sobre a situação do Ministério da Saúde. “Certamente, vamos organizar um calendário também para receber, para dialogar com entidades, especialistas, entidades do complexo industrial da área da saúde, tem uma questão importante em relação à produção de medicamentos, tecnologia, inovação tecnológica, ouvir entidades especializadas, ouvir experiências municipais, experiências estaduais. Um movimento muito positivo, de um lado um reconhecimento do time indicado pelo presidente Lula”. Também nesta quarta-feira o MDB completou as indicações para a equipe de transição do governo do presidente eleito. O conselho político contará com a participação dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Jader Barbalho (MDB-PA), que representarão respectivamente o nordeste e o norte do país. Germano Rigotto (MDB-RS) ficará responsável pela área de indústria, comércio e serviços. As indicações da sigla ainda precisam ser referendadas por Lula.
*Com informações da repórter Iasmin Costa
Fonte: jovempan
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